Política

Delegada desiste de candidatura: ‘Estava sendo usada para fechar cota feminina’

Delegada Andréa Magalhães desiste de candidatura por falta de fundo partidário

A delegada da Polícia Civil, Andrea Magalhães, desistiu de sua pré-candidatura a deputada federal, pelo Solidariedade, partido atualmente comandado por Dr. Pessoa.

Em comunicado enviado à imprensa nesta quinta-feira (05), a delegada afirma que estava sendo “usada” para fechar a cota feminina de candidatos na sigla e não receberia fundos do partido para bancar sua campanha.

“Mais revoltante ainda foi o fato de que nada me fora comunicado oficialmente, soube somente por amigos que eu continuaria a ser usada de maneira inocente e às escuras, com vinha sendo feito. Não sou mulher só para fechar uma cota feminina e ajudar, com sacrifício pessoal, a eleger uma legenda, na qual alguns terão suporte, lícitos e não lícitos, e eu nenhum, mesmo porque eu nunca aceitaria o segundo”, afirma.

Andréa Magalhaes prossegue e pede desculpas a todos que acreditaram em sua candidatura e se retira da disputa.

“Assim, peço sinceras desculpas a todos que estão comigo, e que, assim como eu, acreditavam que pessoas de bem, a partir de meios legais e lícitos, teriam acesso ao processo político. Infelizmente, senti na pele esta impossibilidade e, acreditem, a esperança que eu tinha na possibilidade de mudança se esvaiu”, desabafa.

Com a desistência de Andréa, o Solidariedade agora conta com outros dois pré-candidatos à Câmara Federal, o ex-prefeito de Angical, Jorge Lopes e a major da Polícia Militar, Elizete Lima.

Essa é mais uma polêmica envolvendo o partido. Recentemente o pré-candidato ao Senado, Telsírio Alencar, acusou o presidente estadual da sigla de desviar recursos do fundo partidário para a campanha do filho, João Pessoa (PMN).

O Portal AZ tentou contato com o presidente do Solidariedade, Dr. Pessoa, mas ele não atendeu e nem retornou às ligações.

Confira o texto de Andréa Magalhães na íntegra:

Olá, amigos e amigas!
Em nome daqueles que sempre me apoiaram e tem esperança em um Brasil melhor, tenho algumas considerações a fazer.
Eu estava com a esperança de que, pelo menos após a convenção e o possível registro de minha candidatura, finalmente, teria apoio do meu partido SOLIDARIEDADE, com participação no fundo partidário, mas, infelizmente, tomei conhecimento de que não cumprirão o compromisso que fizeram comigo.
Saliento que só aceitei colocar meu nome, minha trajetória de vida e minha luta porque o Presidente em nível Estadual, Dr. Pessoa, convidou-me, afirmando que era do interesse do partido, inclusive a nível nacional, destinar, o que é garantido por lei, verba do fundo partidário para o financiamento das campanhas das candidatas mulheres, dentre elas, as do Estado do Piauí.
Entretanto, nesse intervalo, cite-se certa reunião do partido, ocasião que o Diretor do Conselho de Ética, Flávio Nogueira, afirmou em alto e bom tom que caberia ao Presidente Nacional do Partido escolher em quem iria “apostar todas as fichas dele”. Deixou subentendido que tudo já estaria previamente decidido, deixando assim os que estavam cobrando o justo, excluídos de qualquer participação e oportunidade.
Eis que, esta semana no Estado de São Paulo, em reunião não informada aos demais filiados, foi acordado entre o Presidente Nacional do Partido, Paulinho da Forca, o Presidente Estadual, Dr. Pessoa, o Vice-presidente Estadual, Jorge Lopes e o Diretor do Conselho de Ética do Partido, Flávio Nogueira, que eu, apesar de ser mulher e do compromisso assumido comigo, não seria contemplada com nenhuma verba do fundo.
Estou muito triste e decepcionada, pois minha pré-candidatura foi muito bem recebida por todos, e, apesar de minha boa fé e força de vontade, não tenho a menor condição de desbravar uma campanha para a Câmara Federal sem nenhum suporte.
Mais revoltante ainda foi o fato de que nada me fora comunicado oficialmente, soube somente por amigos que eu continuaria a ser usada de maneira inocente e às escuras, com vinha sendo feito. Não sou mulher só para fechar uma cota feminina e ajudar, com sacrifício pessoal, a eleger uma legenda, na qual alguns terão suporte, lícitos e não lícitos, e eu nenhum, mesmo porque eu nunca aceitaria o segundo.
Assim, peço sinceras desculpas a todos que estão comigo, e que, assim como eu, acreditavam que pessoas de bem, a partir de meios legais e lícitos, teriam acesso ao processo político. Infelizmente, senti na pele esta impossibilidade e, acreditem, a esperança que eu tinha na possibilidade de mudança se esvaiu.
Finalmente, não me acovardei diante da luta e nem desisti espontaneamente de travar esta batalha, nunca serei mulher disso, mas me recuso a coadunar com esse sistema, de fato, viciado, covarde, desleal e sujo.
Tenho a certeza de que irão tentar se defender dizendo que tudo isso é inverídico, que irão destinar algo para nosso Estado, de fato irão destinar, mas para as cartas marcadas. A verdade nua e crua é esta que eu apresento. E eu sou mulher de palavra e tenho vergonha na cara.
Enfim, sigamos. Eu seguirei com minha carreira de Delegada de Polícia, que tanto honro e amo, servindo dessa forma meu amado povo piauiense, já sem esperança em um país melhor, pois estou vendo que as eleições de 2018 no Piauí serão mais do mesmo.
Teresina, 05 de julho de 2018.

Delegada Andréa Magalhães
Ex pré-candidata a deputada federal do Partido Solidariedade

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