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Professores ocupam plenário da Câmara de Teresina, vereadores são agredidos e votação é adiada

Professores partem para para agressões contra vereadores e não aceitam reajuste dividido

Um grande tumulto tomou conta da proposta de votação de aumento para os professores de Teresina. Eles ocuparam o plenário da Câmara de Teresina na manhã desta quinta-feira (12), quando um requerimento de urgência para votação do reajuste salarial da categoria tramitava pela casa, a vereadora foi estapeada e um vereador empurrado durante a confusão. Após tumulto, a Polícia Militar e a Tropa de Choque foram acionadas. A votação foi suspensa e marcada para o dia 17 de março.

O Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserm) negou que os vereadores tenham sido agredidos durante a manifestação.

Um vídeo mostra o momento em que, após a ocupação do plenário, uma das manifestantes dá tapas na vereadora Teresinha Medeiros (PSL). “Foi um grupo de pessoas que não representa o magistério de Teresina. Lamento que a câmara não dê segurança aos vereadores, eles invadiram o plenário”, descreveu a vereadora.

“Eu ia saindo e me seguraram dizendo que eu não iria sair. Derrubaram meus óculos, tentaram me impedir me agredindo. Vou registrar um boletim de ocorrência contra o sindicato. Nós não podemos tolerar e aceitar esse comportamento sem uma punição devida”, disse a vereadora.

Teresinha Medeiros defende a aprovação do projeto proposto pela prefeitura. “Esse reajuste fica acima da inflação. Teresina é uma das poucas capitais que de fato obedece ao piso, paga em dias e ainda dá um aumento significativo. O sindicato está prejudicando os professores que fazem educação e que querem de fato trabalhar”, afirmou.

 Durante a confusão, o vereador Deolindo Moura (PT) caiu no chão do plenário  — Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com

Durante a confusão, o vereador Deolindo Moura (PT) caiu no chão do plenário — Foto: Jailson Soares/PoliticaDinamica.com

Também durante a confusão, o vereador Deolindo Moura caiu no chão do plenário. “Eles entraram de uma vez, houve empurrões e eu caí. Estou do lado deles, defendo que existe um diálogo, a busca de uma solução para esse impasse”, contou o vereador.

“Está acontecendo um excesso de ambas as partes. A prefeitura não recebe os professores para dialogar e isso ocasiona situações como essa, os professores ocupando o plenário. Temos que ter equilíbrio e buscar uma solução para isso. Tem que haver diálogo de ambas as partes”, disse Deolindo Moura.

Professores jogam bananas em vereadores durante protesto na Câmara Municipal de Teresina — Foto: Reprodução/TV Câmara

Na quarta-feira (11), professores da rede municipal de Teresina jogaram bananas nos vereadores durante a não suspensão da votação do reajuste salarial. De acordo com o diretor do sindicato, Joaquim Monteiro, o ato dos professores terem jogado bananas nos vereadores foi uma reposta a revolta por parte de alguns manifestantes.

Sindicato nega agressões

Professores municipais ocupam plenário da Câmara em Teresina — Foto: Glayson Costa/G1

Professores municipais ocupam plenário da Câmara em Teresina

O presidente do Sindserm, Sinésio Soares, disse aos jornalistas que desconhece qualquer agressão e que quem afirmou ter sido agredido precisa comprovar. “Seja por meio de vídeo, exame de corpo de delito. É uma grande mentira, entramos pacificamente dizendo que não aceitaríamos a votação e eles ficaram com medo”, afirmou.

“Houve uma agressão muito grande do prefeito contra a categoria, mas outra agressão nós desconhecemos”, completou Sinésio Soares.

A categoria que está em greve desde terça-feira (10) e reivindica que o reajuste salarial definido pelo Governo Federal seja pago integralmente. Já a Prefeitura de Teresina pretende fazer o pagamento em duas parcelas: uma a ser paga em março, retroativa a janeiro, e outra em agosto.

“Nós protocolamos um ofício com reivindicações para a gente fazer um calendário de reuniões para negociar essa pauta, mas o preito nem respondeu. Isso foi há cerca de dois meses, no dia 4 nós fizemos uma assembleia e decidimos iniciar a greve da educação”, declarou Sinésio Soares.

Ocupação deve continuar

Professores acamparam na Câmara de Vereadores de Teresina — Foto: Gleyson Costa/G1

Professores acamparam na Câmara de Vereadores de Teresina

A categoria disse ainda que pretende ocupar a Câmara até haja uma negociação por parte da prefeitura. “Queremos apenas o piso que está previsto na Lei. Queremos que isso seja cumprido”, afirmou o presidente do Sindserm.

“A proposta da prefeitura é que essa segunda parcela de agosto não seja retroativa, algo que representa uma perda para os professores em torno de R$ 1.800,00 a R$ 3.600,00. Isso é um absurdo e é ilegal”, declarou Sinésio Soares.

Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserm), Sinésio Soares  — Foto: Glayson Costa/G1

Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserm), Sinésio Soares

Segundo o sindicato, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deu parecer contrário ao projeto afirmando que ele é anticonstitucional, porque o piso não pode ser parcelado.

“Mesmo assim o prefeito Firmino Filho (PSDB) enviou para votação e nós não aguentamos. Quando aqueles que devem fazer as leis se transformam em foras da lei devemos ir para a ação direta, sem quebrar nada, mas devemos dizer que não vamos mais ficar passivamente”, disse.

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