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Papa defende “a libertação da Virgem Maria” da influência das máfias

O Papa Francisco reconhece que "a devoção mariana é um patrimônio religioso-cultural que deve ser resguardado em sua pureza original

O papa Francisco defendeu a “libertação da Virgem Maria” da influência das organizações mafiosas, numa carta enviada à Pontifícia Academia especializada em estudos marianos.

No documento, divulgado nesta quinta-feira (20) pelo Vaticano, o pontífice reconhece que “a devoção mariana é um patrimônio religioso-cultural que deve ser resguardado em sua pureza original, libertando-se de superestruturas, poderes ou condições que não atendam aos critérios evangélicos da justiça, liberdade, honestidade e solidariedade”.

O fenômeno da espiritualidade distorcida, muito comum no sul da Itália e na América Latina, com reverências e homenagens a mafiosos e criminosos, é uma questão que preocupa a hierarquia da Igreja.

Por isso, o papa dedicará uma jornada de estudos sobre o tema no dia 18 de setembro, junto a autoridades religiosas e instituições públicas.

O objetivo da iniciativa é buscar “respostas eficazes” para uma “operação de conscientização cultural” necessária, de acordo com os organizadores.

Para Stefano Cecchin, presidente da Pontifícia Academia Mariana Internacional, a figura de Maria é usada por organizações criminosas para “subjugar as pessoas, para torná-las escravas”.

Em várias ocasiões, o papa Francisco condenou duramente os mafiosos e assassinos que cometem crimes em nome da Virgem Maria.

“Você não pode acreditar em Deus e ser um mafioso. Quem é mafioso não vive como cristão, porque blasfema com sua vida o nome de Deus”, declarou o papa, em setembro de 2018, durante uma homilia na Sicília, local originário da Cosa Nostra, a máfia siciliana.

Quatro anos antes, em 2014, ele lançou uma dura acusação contra a máfia calabresa, a Ndrangheta, ao comentar que “os mafiosos não estão em comunhão com Deus, estão ex-comungados”, afirmou Francisco a cerca de 100.000 pessoas.

Na católica Nápoles, reduto de outra temida organização criminosa, a Camorra, ele condenou organizações que “exploram e corrompem os jovens, os pobres e os desfavorecidos”, em 2015.

Francisco quer também acabar com a prática habitual das organizações mafiosas de aproveitar as festividades dos padroeiros e as procissões religiosas para mostrar o seu poder, e pediu aos padres locais para comprometerem-se a não aceitar atitudes erradas.

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