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Quantidade de mortes no Brasil cresceu 14,9% em 2020 devido Covid-19, diz IBGE

Era uma taxa que já vinha em ascensão de anos anteriores, mas não de forma tão pronunciada. De 2018 para 2019, o crescimento no número de mortes foi de 2,6%, por exemplo.

Com a interferência da pandemia do coronavírus em diversos índices de saúde da população do país, já era esperado um crescimento no número óbitos entre brasileiros. Mas, além disso, o período também foi marcado pela queda nas taxas de natalidade e na quantidade de casamentos e uniões civis.

Os dados fazem parte da pesquisa anual Estatística de Registros Civis 2020, realizada pelo IBGE e divulgada nesta semana. O estudo deriva de informação de cartórios, tabelionatos e varas de todo o país e mostra que 1.510.068 mortes foram registradas em todo o território brasileiro apenas no ano passado, com crescimento de 14,9 % em relação ao total de 2019.

Era uma taxa que já vinha em ascensão de anos anteriores, mas não de forma tão pronunciada. De 2018 para 2019, o crescimento no número de mortes foi de 2,6%, por exemplo.

A faixa de idade que mais perdeu brasileiros nesse período fica entre 60 a 74, com um índice de crescimento de 21,1%. Em contraposição, houve queda no número de morte de crianças e adolescentes com até 14 anos, 15,1% menor em relação ao ano anterior.

Mas a população jovem também sofreu perdas mais numerosas. Entre aqueles que têm entre 15 a 19 anos, o crescimento na mortalidade, sempre em comparação a 2019, foi de 7,9%. Entre 30 a 44, houve aumento de 15,2%. Entre pessoas de 45 a 59, subiu 18% e, de 75 a 89 anos, 13,8%.

A taxa negativa para quem tem até 14 anos (com declive de 15,1%) foi puxada, em parte, pelo número mais baixo de nascimentos -quanto menos brasileiros nascem em um período, maior a chance de a taxa de mortalidade diminuir, o que foi considerado em texto de apresentação do estudo.

A queda no número de registro de nascimentos -total de 2.678.992 no ano- foi de 4,7%. Assim sendo, também diminuiu a mortalidade de recém-nascidos, com declínio de 13,9% para quem tinha menos de 1 anos.

O total de 2.678.992 se refere a crianças nascidas em 2020 e registradas até o 1º trimestre de 2021, sendo que aproximadamente 2% correspondem a pessoas nascidas em anos anteriores e que, muitas vezes, não sabem dizer em que ano nasceram.

Segundo o estudo, a declaração de emergência em saúde pública de importância nacional (Espin) e a adoção de medidas restritivas para contenção do coronavírus, incluindo restrições de horários no serviço público, “impôs mudanças no funcionamento dos cartórios em todo o território nacional no período”.

O texto prossegue afirmando que tais mudanças podem ter contribuído para a diminuição expressiva na realização de registros de nascimento no mês de março do ano passado e a postergação dos registros para junho e julho, “meses em que apresentaram sinais de retomada na realização de registros de nascimentos ainda que em patamares inferiores à média dos últimos cinco anos”.

Desde o início da pandemia em março de 2020, foram registradas mais de 600 mil mortes causadas pelo coronavírus no país. Se consideradas apenas as mortes registradas no ano passado, até o dia 31 de dezembro, haviam sido contabilizadas 275.097 mortes por causa da Covid-19. Isso significa que 18% do total de registro de mortes em todo o país teve como causa a doença, segundo números consolidados pelo consórcio de imprensa com informações das secretarias de saúde dos estados.

Também caiu o número de casamentos registrados em cartório. O total foi de 757.179, o que representa uma queda de 26,1% em relação a 2019. Uma reportagem do Agora mostrou que essa tendência prosseguiu especialmente no início de 2021, em boa parte causada pelas restrições impostas pelos protocolos de controle da pandemia no país, entre elas a realização de festas.

VIOLÊNCIA E MORTE DE JOVENS

O mesmo estudo também traz dados de mortes por razões não naturais, dando destaque para uma população que tem se tornado cada vez mais vulnerável.

Entre homens com idade entre 20 e 24 anos, houve aumento de 9,6%, com um total de 12.932 óbitos causados por acidentes no trânsito, homicídios e outras razões que desconsideram as doenças.

Segundo texto de apresentação do estudo, “excepcionalmente, as informações de divórcios judiciais e divórcios extrajudiciais, serão divulgadas em momento posterior.”

Ainda sobre o registro de óbitos, Amazonas e Pará são os estados com as maiores variações para cima nas taxas de mortalidade, o primeiro com elevação de 32% em relação a 2019, o segundo, com 28%.

Minas gerais (crescimento de 7,9%) e Rio Grande do Sul (4%), estão com os índices mais baixos da lista com todos os estados brasileiros.

Fonte: Folhapress

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